Bolsonaro passa por cirurgia para corrigir hérnia; entenda o que isso significa

O ex-presidente Jair Bolsonaro vai passar por uma cirurgia após uma perícia médica confirmar que ele tem hérnia inguinal bilateral. A avaliação foi feita pelo Instituto Nacional de Criminalística e o procedimento foi autorizado pelo ministro

Além da hérnia, os médicos também analisaram os soluços persistentes do ex-presidente e indicaram um procedimento específico para tentar controlar o problema.

O que é a hérnia inguinal, na prática?

A hérnia inguinal acontece quando uma parte de dentro da barriga, geralmente o intestino, encontra um ponto fraco na parede muscular e começa a “escapar” por ali. É como se fosse uma parede rachada: o que está dentro acaba empurrando e formando um calombinho na virilha.

Quando isso acontece dos dois lados do corpo, o nome muda para hérnia inguinal bilateral.

Ela pode causar inchaço, dor ou desconforto, principalmente ao fazer esforço, tossir ou ficar muito tempo em pé. Em alguns casos, porém, a pessoa quase não sente nada. Segundo os peritos, no caso de Bolsonaro, não há urgência ou emergência, mas a cirurgia é necessária para evitar que o quadro piore.

Por que isso acontece?

A barriga não é um espaço vazio. Ela tem várias camadas: pele, gordura, músculos e uma camada mais resistente chamada aponeurose (que funciona como uma espécie de cinta natural segurando os órgãos).

Quando alguém passa por cirurgias anteriores ou sofre traumas, essas camadas podem enfraquecer. O corpo cria cicatrizes internas, chamadas de aderências (quando partes internas acabam “grudando” umas nas outras).

Com o tempo, essas cicatrizes deixam a região mais frágil. Aí o intestino faz o que qualquer coisa faria: procura uma brecha para ocupar espaço. É assim que a hérnia surge.

Em casos mais complicados, o intestino pode até ficar preso fora do lugar, o que os médicos chamam de encarceramento (quando entra, mas não consegue voltar sozinho).

Como funciona a cirurgia da hérnia?

Existem duas formas principais de corrigir a hérnia:

Videolaparoscopia: o médico usa uma câmera, solta as aderências por dentro, coloca o intestino de volta no lugar e reforça a área com uma tela, que funciona como um remendo interno.

Cirurgia aberta: usada em casos mais complexos. O cirurgião acessa diretamente a região, libera manualmente o intestino preso, reforça os músculos e pode usar uma tela para dar mais sustentação.

Pensando de forma simples: é como fechar uma porta que abriu onde não devia. O médico devolve o que saiu e fecha bem essa abertura para não dar problema de novo.

Em geral, é uma cirurgia considerada relativamente simples. Normalmente, o paciente fica internado um dia, recebe alta rápido e precisa evitar esforço por cerca de 30 dias.

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E os soluços? O que tem a ver com isso?

Os médicos também avaliaram os soluços persistentes, que são uma das principais queixas de Bolsonaro. Segundo os peritos, o procedimento mais indicado é o bloqueio do nervo frênico.

Esse bloqueio reduz temporariamente a atividade do nervo que controla o diafragma (o músculo que ajuda na respiração). Ele é feito com anestesia local e ajuda a interromper soluços que não melhoram com tratamentos comuns.

Importante: os médicos explicam que a hérnia inguinal não causa soluço diretamente.

No caso do ex-presidente, o problema pode estar ligado a uma hérnia de hiato (quando parte do estômago sobe para onde não deveria, irritando o esôfago). Essa irritação fica perto do diafragma e pode acabar desencadeando os soluços.

Apesar do nome parecido, hérnia inguinal e hérnia de hiato são problemas diferentes, em partes diferentes do corpo e com efeitos distintos.

Por que isso importa?

Esse caso ajuda a entender que hérnia não é algo raro e nem sempre aparece de forma grave logo de cara. Muitas vezes, o corpo vai dando sinais aos poucos.

No caso de Bolsonaro, o histórico de múltiplas cirurgias contribuiu para o enfraquecimento da região abdominal, explicando tanto a hérnia quanto outros desconfortos.

No fim das contas, a cirurgia serve justamente para evitar complicações maiores e permitir que o corpo volte a funcionar do jeito certo, sem dor e sem sustos no caminho.

Fonte: g1

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