A China decidiu agir para conter a guerra de preços entre grandes plataformas de comércio eletrônico. O governo anunciou novas regras que limitam práticas abusivas de precificação usadas por empresas de internet. As mudanças entram em vigor em 10 de abril de 2026 e terão validade de cinco anos.
Na prática, as plataformas não poderão mais forçar vendedores a baixar preços. Isso inclui ações como cobrar taxas mais altas ou retirar produtos dos resultados de busca para pressionar empresas a vender mais barato.
O objetivo é frear uma disputa agressiva que vem reduzindo os lucros dos comerciantes e levantando dúvidas sobre a estabilidade do mercado.
A decisão acontece em meio a uma guerra intensa entre Alibaba, Meituan e JD.com, especialmente no chamado “varejo instantâneo”, que é a entrega rápida de produtos. Os consumidores até se beneficiam de preços menores, mas os vendedores relatam que quase não sobra lucro.
| BlackPost |
Restaurantes também afirmam que o atendimento presencial caiu, afetando uma parte importante do faturamento.
Os números mostram o peso dessa disputa. As três empresas gastaram mais de 100 bilhões de yuans em subsídios e despesas comerciais no segundo e terceiro trimestres de 2025. A Meituan registrou um prejuízo operacional de 19,8 bilhões de yuans, o maior desde sua abertura de capital.
Já a Alibaba viu seu lucro operacional cair de 35,2 bilhões para 5,4 bilhões de yuans no mesmo período. A JD.com também entrou no vermelho, com prejuízo operacional de 10,5 bilhões de yuans.
Analistas da S&P Global avaliam que as três plataformas ainda devem gastar pelo menos 160 bilhões de yuans nos próximos meses para defender ou aumentar participação de mercado. A expectativa é que as margens de lucro continuem pressionadas por mais tempo.
As novas regras fazem parte de um movimento maior do governo chinês contra a chamada “involução”, que é quando a competição excessiva derruba preços abaixo do custo e destrói a rentabilidade. Em dezembro, autoridades já haviam alertado que exigir o “menor preço da internet” pode violar leis antimonopólio.
O governo chinês costuma agir de forma firme quando vê riscos ao funcionamento saudável do mercado. Em julho de 2025, as principais plataformas foram chamadas para conversar, mas a disputa continuou.
Opinião BlackPost: combater guerras de preços destrutivas é positivo para a economia. Concorrência é saudável, mas quando elimina lucros, empregos e investimentos, vira um problema. Regras claras ajudam a criar um mercado mais eficiente e sustentável.
No longo prazo, quem ganha são os trabalhadores, os comerciantes e os consumidores, com empresas mais sólidas e serviços melhores. O aprendizado aqui é simples: crescimento real depende de competição justa, não de preços artificialmente baixos que quebram o sistema.
Fonte: bloomberg
