A Disney decidiu dar um passo grande no mundo da inteligência artificial. A empresa anunciou um investimento de US$ 1 bilhão na OpenAI, dona do Sora, uma ferramenta que cria vídeos a partir de texto. Na prática, isso significa que personagens como Mickey Mouse, Cinderela e Luke Skywalker vão passar a “atuar” em vídeos feitos por IA — tudo dentro de um acordo oficial.
O que muda com esse acordo
Esse contrato, válido por três anos, transforma a Disney no primeiro grande parceiro de licenciamento de conteúdo do Sora. Com isso, fãs poderão usar a ferramenta para criar e compartilhar vídeos usando mais de 200 personagens dos universos Disney, Marvel, Pixar e Star Wars.
Para quem nunca ouviu falar do Sora, funciona assim: a pessoa escreve um texto simples, tipo “Mickey andando por Paris ao pôr do sol”, e a IA gera um vídeo curto com essa cena. Rápido, visual e impressionante.
Alguns desses vídeos criados por usuários, inclusive, poderão aparecer no Disney+, segundo as empresas.
Disney diz “sim” para a OpenAI e “não” para o Google
Enquanto fecha as portas com carinho para a OpenAI, a Disney fez o oposto com o Google. A empresa enviou uma notificação formal exigindo que o Google pare de usar seus personagens para treinar sistemas de IA, como os geradores de vídeo e imagem Veo, Imagen e Nano Banana.
Segundo a Disney, esses sistemas estariam criando personagens de franquias como Star Wars, Os Simpsons, Deadpool e O Rei Leão sem autorização. E pior: esse conteúdo ainda estaria sendo espalhado em canais como o YouTube.
A empresa afirma que já vinha alertando o Google há meses, mas, como nada mudou, resolveu agir de forma mais dura.
Uma postura que a Disney já vem adotando
Essa não é a primeira vez que a Disney parte para o confronto. A empresa já enviou notificações parecidas para Meta e Character.AI e também entrou com processos, junto com NBCUniversal e Warner Bros. Discovery, contra geradores de imagem como o Midjourney e a empresa Minimax.
A mensagem é clara: usar personagens da Disney sem permissão, nem pensar.
O discurso oficial das empresas
O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou que o acordo mostra que empresas de tecnologia e criadores podem trabalhar juntos de forma responsável, respeitando direitos autorais e ampliando o alcance das obras.
Já o CEO da Disney, Robert Iger, disse que a ideia é expandir o alcance das histórias da empresa com ajuda da IA, mas sempre protegendo criadores e conteúdos.
Além disso, a Disney vai virar uma grande cliente da OpenAI, usando suas tecnologias para criar novos produtos e ferramentas internas. Os funcionários da empresa também passarão a usar o ChatGPT no dia a dia.
As críticas e o alerta sobre crianças
Nem todo mundo gostou da novidade. Grupos de defesa das crianças criticaram a parceria, dizendo que personagens famosos podem atrair o público infantil para uma plataforma que, oficialmente, não é voltada para crianças.
A preocupação é que personagens adorados por crianças sejam usados como isca para aproximá-las de ferramentas de IA consideradas inadequadas para essa faixa etária.
Por que isso importa no dia a dia
Esse acordo mostra como a inteligência artificial está entrando de vez no entretenimento, mas também escancara uma disputa importante: quem pode usar personagens famosos, e como.
De um lado, parcerias bilionárias e novas experiências. Do outro, brigas por direitos autorais e controle do conteúdo. No fim das contas, a Disney deixa claro que não é contra a IA — desde que ela jogue conforme as regras.
Fonte: apnews
