Embaixada dos EUA chama “autodeportação” de presente de Natal em vídeo

Embaixada dos Estados Unidos no Brasil publicou um vídeo nas redes sociais que causou surpresa. A peça trata a saída voluntária de imigrantes em situação irregular dos Estados Unidos como se fosse um “presente de Natal” oferecido pelo governo americano.

O vídeo, postado no X (antigo Twitter), segue o clima de comerciais antigos de fim de ano. Com tom leve e linguagem publicitária, ele incentiva imigrantes sem documentação a usarem um aplicativo oficial para voltar ao país de origem por conta própria.

A ideia gira em torno do aplicativo CBP Home, lançado pelo governo Donald Trump. Ele foi criado para quem está nos EUA de forma irregular e aceita o que o governo chama de “deportação voluntária”. Na prática, funciona assim: a pessoa baixa o app, informa seus dados, recebe ajuda para organizar a viagem de volta e, ao chegar ao país de origem, ganha US$ 1.000.

Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), esse modelo sai bem mais barato para o governo. Dados divulgados mostram que prender, manter detido e deportar um imigrante custa, em média, US$ 17.121. Já a saída voluntária, mesmo com o pagamento do auxílio, reduz esse gasto em cerca de 70%.

No vídeo divulgado pela Embaixada, a mensagem é direta: o aplicativo é gratuito, rápido e cuida de toda a logística da viagem. A promessa é que a pessoa consiga “voltar para casa” ainda a tempo das festas de fim de ano, com apoio financeiro.

Essa ação faz parte da agenda de deportação em massa do presidente Donald Trump, que, em seu segundo mandato, reforçou políticas mais duras contra a imigração. Entre as medidas estão o aumento de operações de órgãos como a Agência de Imigração e Alfândega (ICE) para deter imigrantes em situação irregular.

Não é a primeira vez que a Embaixada usa esse tipo de abordagem. Em julho, uma postagem chamou atenção ao usar uma imagem do filme “E.T., O Extraterrestre”, com a mensagem de que até o personagem sabia a hora de “voltar para casa”. A publicação também promovia o uso do CBP Home, oferecendo assistência na viagem e ajuda de custo.

No fim das contas, o episódio mostra como o governo americano vem tentando transformar um tema duro e sensível em algo mais palatável, usando linguagem publicitária e referências culturais. Para quem acompanha o debate sobre imigração, isso ajuda a entender como as políticas estão sendo comunicadas — e aplicadas — na prática.

Fonte: x.com

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