Giro do mercado: cripto segura, ações de tecnologia caem e juros voltam ao radar

O dia nos mercados foi daqueles de ajuste fino. Nada de pânico generalizado, mas também longe de euforia. Criptomoedas caminharam de lado, Wall Street pisou no freio — especialmente nas ações ligadas à inteligência artificial — e os juros voltaram a pesar nas decisões dos investidores. Vamos por partes, sem complicar.

Bitcoin anda de lado e esfria as altcoins

O Bitcoin segue girando em torno de US$ 90 mil, com uma leve queda no dia. Desde o pico de outubro, a correção já soma cerca de 26%, mas analistas enxergam isso mais como uma pausa para respirar do que como um tombo de verdade.

Na prática, é como alguém que correu demais e agora anda um pouco pra recuperar o fôlego. Esse ritmo mais lento acaba tirando o brilho das altcoins, já que o apetite ao risco diminui. Ainda assim, o mercado vê um colchão de segurança na demanda institucional, principalmente via ETFs, o que ajuda a evitar quedas mais fortes.

XRP recebe boas notícias, mas preço fica travado

O XRP continua preso na casa dos US$ 2, negociando perto de US$ 2,03, quase sem sair do lugar. E isso chama atenção porque notícia boa não faltou: a Ripple recebeu aprovação condicional para criar um banco fiduciário nacional nos EUA, e os ETFs spot ligados ao ativo já somam quase US$ 1 bilhão em entradas.

Mesmo assim, o preço não reage. O motivo? Um combo de cenário macro mais pesado, menos atividade na rede e investidores aproveitando pra realizar lucros em derivativos. Resultado: o XRP segue andando em círculo.

Wall Street realiza lucros e IA perde força

Nos Estados Unidos, o clima virou. O S&P 500 caiu cerca de 1,1%, enquanto o Nasdaq recuou perto de 1,7%. O movimento veio principalmente da saída de investidores dos grandes nomes ligados à IA, após alertas de empresas como Broadcom e Oracle reacenderem o medo de uma possível “bolha”.

O Dow Jones, por outro lado, conseguiu segurar ganhos na semana, ajudado por uma migração para setores mais defensivos e ações de valor. É aquela velha dança do mercado: sai do risco, entra na proteção.

Broadcom e Oracle puxam queda no setor de chips

A Broadcom despencou entre 9% e 11%, mesmo após resultados fortes. O problema foi o aviso de margens mais apertadas em chips de IA customizados e dúvidas sobre contratos futuros. Já a Oracle sofreu com notícias de atraso em data centers ligados à OpenAI.

Esse clima contaminou o setor inteiro. O índice de semicondutores da Filadélfia caiu mais de 5%, puxando para baixo nomes como Nvidia, AMD, Micron e Arm. Quando o líder tropeça, o resto sente.

Fed corta juros, mas mercado fica desconfiado

O Federal Reserve reduziu os juros para a faixa de 3,50% a 3,75%, mas nem todo mundo aplaudiu. Comentários de dirigentes mais cautelosos, preocupados com a inflação e a falta de dados recentes, fizeram os juros dos títulos de 10 anos subirem para perto de 4,19%.

Juros mais altos pesam especialmente sobre ações de crescimento, como tecnologia. Ao mesmo tempo, o dólar segue mais fraco no geral, o que acaba favorecendo moedas como o euro.

Strategy vira espelho do Bitcoin

As ações da Strategy Inc. (antiga MicroStrategy, ticker MSTR) caíram cerca de 3,7%. O papel virou praticamente um reflexo alavancado do Bitcoin: se o BTC mexe, a ação sente — e mais forte.

Além disso, pesam dúvidas sobre a permanência da empresa em índices importantes, como o Nasdaq-100, e possíveis exclusões por parte da MSCI. A própria companhia admite que seus resultados são extremamente sensíveis ao valor de mercado do Bitcoin.

Cobre recua, ouro brilha

Nas commodities, o cenário ficou dividido. O cobre caiu cerca de 2,4%, para US$ 5,28 por libra, depois de tocar máximas de quatro meses. A preocupação aqui é a demanda da China, mesmo com sinais de estímulo.

Já o ouro segue reluzente, voltando para a faixa de US$ 4.300 por onça. Em 12 meses, a alta passa de 60%, impulsionada por juros reais mais baixos e pela busca por proteção em tempos incertos.

Petróleo não embala nem com tensão geopolítica

O WTI gira perto de US$ 57,4 o barril, em leve queda. Mesmo com sanções dos EUA contra o petróleo da Venezuela e apreensão de navios, o mercado segue cético. A leitura é simples: crescimento global fraco e oferta ainda robusta seguram qualquer alta mais consistente.

Euro avança com dólar mais fraco

No câmbio, o euro ganhou terreno e o par EUR/USD opera perto de 1,17. O movimento reflete semanas de enfraquecimento do dólar após os cortes do Fed e a expectativa de novos alívios nos próximos anos.

Grandes bancos, como Deutsche Bank e Goldman Sachs, já projetam um dólar mais fraco à frente, à medida que a diferença de juros entre os EUA e outras economias diminui.

Por que isso importa?

No fim das contas, o mercado está em modo cautela. Não é pânico, mas também não é festa. Entender esse cenário ajuda você a não tomar decisões no impulso, a respeitar o momento de cada ativo e a lembrar que, no mercado, até quando tudo parece parado… muita coisa está acontecendo por baixo do capô.

O dinheiro fala. O BlackPost traduz.

Fonte: Blackpost

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