O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro que os Correios não serão privatizados. A declaração foi feita nesta quinta-feira (18), durante uma conversa com a imprensa no Palácio do Planalto. Segundo ele, enquanto estiver no cargo, a estatal continua pública — mas isso não impede acordos com outras empresas.
De forma direta, Lula afirmou que não existe chance de venda dos Correios. O que pode acontecer, segundo ele, é a construção de parcerias. Entre os interessados, estariam empresas italianas e também empresas brasileiras, que já demonstraram vontade de sentar à mesa para conversar sobre possíveis acordos.
Essa fala acontece num momento delicado. Os Correios vivem uma crise financeira pesada. Entre janeiro e setembro deste ano, a empresa acumulou um prejuízo de R$ 6,05 bilhões. Somando os números desde 2022, o rombo chega perto de R$ 10 bilhões.
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| Presidente reconheceu crise que já gerou um rombo de R$ 6 bilhões nas contas da estatal, recorde entre todas as empresas públicas. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) |
Para o presidente, o problema não é o modelo público, mas sim a gestão equivocada. Ele explicou que uma empresa estatal não precisa ser obcecada por lucro, mas também não pode viver no prejuízo. Em outras palavras: precisa se equilibrar, pagar as contas e funcionar direito.
Diante desse cenário, o governo trocou o comando dos Correios em setembro. O novo presidente da estatal é Emmanoel Schmidt Rondon, que já apresentou um plano de reestruturação. Esse plano inclui corte de despesas, novas formas de ganhar dinheiro e um programa de demissão voluntária (quando o funcionário escolhe sair e recebe uma compensação).
Além disso, os Correios estão tentando um empréstimo com garantia do Tesouro Nacional (que é, basicamente, o governo servindo como fiador). A ideia inicial era pedir R$ 20 bilhões, mas o valor deve ficar em torno de R$ 12 bilhões.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou que essa proposta já está em análise e pode ser aprovada até sexta-feira (19). O empréstimo envolve cinco bancos: Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander. A taxa de juros será limitada a 120% do CDI (que é uma taxa usada como referência para investimentos e empréstimos no mercado).
Quando falou das empresas italianas, Lula se referia à Poste Italiane, empresa de correios da Itália que passou por uma reestruturação bem-sucedida. Em uma visita ao país, em outubro, o presidente se reuniu com o CEO da companhia, Matteo Del Fante, para conhecer de perto essa experiência.
A Poste Italiane abriu capital em 2015 (vendeu parte das ações na bolsa), conseguiu sair do prejuízo e hoje dá lucro, mantendo o governo italiano como principal acionista.
No fim das contas, Lula reforçou que os Correios podem até virar uma empresa de economia mista (quando parte é pública e parte privada), mas descartou a venda total. Segundo ele, parceria é possível. Privatização, não.
Fonte: G1

