O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mexer num assunto sensível no cenário internacional. Ele nomeou um enviado especial com a missão declarada de trabalhar para que a Groenlândia passe a fazer parte do território americano.
O escolhido foi Jeff Landry, governador do estado da Louisiana. O anúncio foi feito no domingo, 21 de dezembro. Pouco depois, Landry escreveu nas redes sociais que considera uma honra ajudar a tornar a Groenlândia parte dos Estados Unidos.
A reação não demorou. A Dinamarca, país ao qual a Groenlândia é ligada, ficou irritada e avisou que vai chamar seu embaixador em Washington para pedir explicações. Para os dinamarqueses, a decisão fere a soberania (o direito de um país mandar no próprio território).
Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, foi direto: disse que a ilha deve decidir sozinha o seu futuro e que sua integridade territorial (ou seja, suas fronteiras e controle) precisa ser respeitada.
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| O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o governador da Louisiana, Jeff Landry, em março deste ano |
A Groenlândia é uma ilha enorme no Ártico, com cerca de 57 mil habitantes. Desde 1979, ela tem um governo próprio para assuntos internos, mas a defesa e a política externa ainda ficam sob responsabilidade da Dinamarca.
Trump já tinha mostrado interesse pela ilha no passado. Durante seu primeiro mandato, entre 2017 e 2021, ele chegou a tentar comprar a Groenlândia. A resposta, na época, foi clara: a ilha “não está à venda”. Agora, de volta à Casa Branca, ele retomou o tema com força.
O motivo principal é estratégico. A Groenlândia fica entre a América do Norte e a Europa, numa região cada vez mais disputada. Com o gelo do Ártico derretendo, surgem novas rotas de navegação e mais acesso a recursos minerais, que são matérias-primas valiosas.
Os Estados Unidos já mantêm uma base militar na ilha desde a Segunda Guerra Mundial. Em 2020, Washington também reabriu seu consulado na capital Nuuk, depois de décadas fechado.
Mesmo assim, pesquisas mostram que a maioria dos groenlandeses até apoia uma futura independência da Dinamarca, mas rejeita de forma esmagadora virar parte dos Estados Unidos.
Autoridades europeias também reagiram. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou apoio total à Dinamarca e ao povo da Groenlândia.
Vale lembrar que o cargo de enviado especial não é um posto diplomático formal. Essas nomeações não precisam da aprovação do país envolvido. Ainda assim, o gesto carrega um peso político claro e mostra que o plano de Trump em relação à Groenlândia continua vivo.
No fim das contas, o episódio ajuda a entender como o Ártico virou peça-chave no jogo global. O que antes parecia distante e gelado demais, agora está no centro das disputas por poder, segurança e recursos naturais.
Fonte: bbc

