O aplicativo do FGC (Fundo Garantidor de Crédito) travou feio neste sábado (17 de janeiro), logo no primeiro dia em que os investidores prejudicados pelo Banco Master podiam pedir o ressarcimento do dinheiro. Desde as 9h30, quando o app foi liberado, credores relataram dificuldades pra enviar documentos e concluir os procedimentos. E olha que estamos falando de 800 mil investidores que têm direito a receber um total de R$ 40,6 bilhões. Sim, bilhões.
Por que o app travou?
A explicação é simples: muita gente tentando acessar ao mesmo tempo. Às 12h37, o FGC informou que o aplicativo registrou um volume altíssimo de acessos simultâneos, o que causou instabilidades e afetou a disponibilidade pra todo mundo. Até o meio-dia deste sábado, foram mais de 140 mil acessos. É tipo todo mundo tentando entrar numa loja ao mesmo tempo na Black Friday — o sistema não aguenta.
O FGC disse que a infraestrutura tecnológica do app é "auto escalável" (ou seja, ela deveria se adaptar automaticamente ao aumento de demanda) e que esperava a normalização "nas próximas horas". Vamos ver se isso acontece mesmo.
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| Aplicativo do FGC apresenta instabilidade para os usuários — Foto: Reprodução |
Como funciona o ressarcimento?
Pessoas físicas precisam fazer o pedido pelo aplicativo do FGC, enquanto empresas devem usar o site do órgão. Depois de concluída a solicitação, o credor recebe o pagamento em até dois dias úteis, numa conta de sua titularidade (ou seja, na sua própria conta, não pode ser de terceiros).
Originalmente, o FGC estimava que 1,6 milhão de pessoas seriam ressarcidas, num valor total de R$ 41,3 bilhões. Mas depois de refazer as contas, o número de credores caiu pra 800 mil, e o valor total pra R$ 40,6 bilhões. Mesmo assim, continua sendo uma montanha de dinheiro.
E calma, o FGC tem grana pra pagar. O órgão informou que possui liquidez de R$ 125 bilhões, segundo dados de novembro de 2025. Então, ninguém vai ficar no prejuízo por falta de dinheiro do fundo.
Cuidado com os golpes
Como sempre acontece quando tem dinheiro pra receber, os golpistas já estão de olho. O FGC emitiu um alerta importante: eles não cobram nenhum tipo de taxa pra efetuar o pagamento da garantia, não antecipam, não transferem créditos e não usam intermediários. E mais: nenhum contato é feito por WhatsApp ou SMS.
Os canais oficiais são apenas o app do FGC, telefone, email e redes sociais oficiais. Se alguém te mandar mensagem dizendo que pode "antecipar" seu pagamento ou cobrando taxa, é golpe, simples assim.
"Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos", disse Daniel Lima, presidente do FGC. Fique esperto.
Quem tem direito ao ressarcimento?
O FGC protege investidores até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Ou seja, se você tinha dinheiro no Banco Master, pode receber até esse valor de volta. Isso vale pra quem investiu em:
- CDB (Certificado de Depósito Bancário) e RDB (Recibo de Depósito Bancário)
- LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
- LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
Exemplo: se você tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil pra receber em rendimentos, vai ter acesso a até R$ 250 mil. O valor que passar disso entra na fila da liquidação conduzida pelo Banco Central, e aí só Deus sabe se você vai ver esse dinheiro um dia.
E quem não está protegido?
Se você investiu em produtos sem garantia do FGC, aí complicou. Não têm direito ao ressarcimento quem aplicou em:
- Debêntures
- CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários)
- CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio)
- Fundos de investimento
- Títulos emitidos fora do sistema de proteção
Nesses casos, não há indenização automática. Todo o valor investido entra na fila da liquidação e só vai ser recuperado se sobrar dinheiro depois de pagar as obrigações prioritárias. Basicamente, você fica no final da fila, e as chances de ver seu dinheiro de volta são baixas.
O que aconteceu com o Banco Master afinal?
O Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro, foi liquidado no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação (ou seja, pagava juros muito altos pra conseguir dinheiro dos investidores) e da exposição a investimentos arriscados.
O sinal de alerta ficou evidente quando o banco começou a oferecer CDBs com remunerações muito acima do padrão de mercado. Quando algo tá pagando rendimento muito maior que o normal, desconfia — geralmente tem alguma coisa errada.
Houve tentativas de venda do banco, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), mas nenhuma avançou. Tudo foi interrompido por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
Você conseguiu acessar o app do FGC hoje?
Se você é um dos 800 mil investidores afetados, conta aqui: você conseguiu fazer seu pedido de ressarcimento ou também ficou travado no app? E mais: você acha que o FGC deveria ter se preparado melhor pra esse volume de acessos ou isso era impossível de prever?
Deixa sua opinião nos comentários — quero saber se você tá conseguindo resgatar seu dinheiro ou se tá na fila da frustração!
Fonte: globo

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