Brasil assume a liderança mundial na produção de carne bovina

O Brasil atingiu um marco histórico em 2025 ao ultrapassar os Estados Unidos e se tornar o maior produtor mundial de carne bovina. A mudança encerra décadas de liderança norte-americana no setor pecuário global, segundo estimativas de mercado divulgadas nesta semana.

A produção brasileira registrou um avanço de cerca de 4% no último ano, alcançando entre 12,35 e 12,5 milhões de toneladas. O volume superou com folga as projeções iniciais e ultrapassou a produção dos Estados Unidos, que caiu 3,9%, totalizando aproximadamente 11,8 milhões de toneladas.

Analistas apontam que a retração americana está diretamente ligada a anos consecutivos de seca, que forçaram produtores a reduzir rebanhos. Como consequência, os estoques de gado nos EUA atingiram o nível mais baixo desde a década de 1950.

Exportações brasileiras impulsionam o setor

Antes mesmo de liderar a produção global, o Brasil já ocupava o posto de maior exportador de carne bovina do mundo. Em 2025, o país embarcou quase US$ 17 bilhões em carne, segundo dados oficiais do governo.

A forte demanda internacional, especialmente da China e dos próprios Estados Unidos , foi determinante para sustentar o crescimento da produção brasileira. Nos EUA, a oferta doméstica limitada elevou os preços da carne bovina a níveis recordes.

Produtividade revoluciona a pecuária nacional

A ascensão do Brasil no ranking global está diretamente relacionada aos ganhos de produtividade. A idade média de abate do gado caiu de cerca de cinco anos há uma década para aproximadamente 36 meses, com tendência de se aproximar dos 24 meses.

Segundo Vinicius Barbosa, gerente comercial do confinamento CMA, em Barretos, esse avanço resulta de investimentos em tecnologia, genética e manejo intensivo.

O uso de confinamentos cresce rapidamente em todo o país. Estimativas da Scot Consultoria indicam que cerca de 28% do gado brasileiro será engordado nesses sistemas até 2027, ante 22% em 2025. Nessas estruturas, resultados obtidos em 100 dias levariam até 24 meses em sistemas tradicionais a pasto.

Inovação, alimentação e reprodução eficiente

A expansão da indústria de etanol de milho também contribui para o desempenho do setor, ao gerar subprodutos ricos em proteína que aceleram a engorda do gado.

Além disso, técnicas modernas de inseminação artificial vêm elevando as taxas de prenhez do rebanho brasileiro. A expectativa é que esse índice atinja 54% até 2027, permitindo maior volume de abates sem redução do tamanho total do rebanho.

Impactos globais e ambientais

O desempenho do Brasil será decisivo para o equilíbrio da oferta global de carne bovina nos próximos anos. O USDA projeta que a produção conjunta dos seis maiores produtores mundiais cairá 2,4% em 2026, a maior retração anual em décadas.

Nos Estados Unidos, a produção deve recuar mais 0,9%, alcançando cerca de 11,7 milhões de toneladas.

O rebanho bovino brasileiro, estimado em 238 milhões de cabeças — mais que o dobro do total americano, de cerca de 94 milhões — deve crescer apenas 4% até 2034. Ainda assim, a produção de carne bovina deve avançar 24%, segundo a ABIEC .

Esse ganho de eficiência pode reduzir a pressão por expansão de áreas de pastagem, ajudando a desacelerar o desmatamento na Amazônia.

"Nunca houve tanta demanda internacional pela carne bovina brasileira", afirmou Guilherme Jank, analista da Datagro.

Deixa a sua opinião nos comentários
Fonte: reuters

Postar um comentário

Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade
Continua depois da publicidade