Essa notícia é um alerta vermelho e representa um risco diplomático gravíssimo para o Brasil. Reconhecer a posse de uma líder vizinha que já começa o governo usando manobras jurídicas para ignorar a própria Constituição é um retrocesso absurdo. Para um país que quer ser potência, se alinhar a incertezas e "jeitinhos" institucionais no quintal de casa é o caminho mais rápido para espantar investidores e queimar nossa imagem no exterior.
O nó cego jurídico na fronteira
A situação é a seguinte: o ditador Nicolás Maduro foi capturado pelos americanos. Pela regra do jogo na Venezuela (a Constituição deles), a vice Delcy Rodríguez deveria assumir e convocar eleições rapidinho, em 30 ou 90 dias. Mas o tribunal de lá, que é chapa branca — ou seja, joga junto com o governo —, inventou uma desculpa técnica. Eles disseram que a captura não é nem "falta temporária" nem "ausência absoluta".
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| Vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, faz pronunciamento à imprensa em Caracas • /Leonardo Fernandez Viloria/Reuters |
Na prática, isso é uma manobra (um truque para burlar a regra) para que ela fique no poder por tempo indeterminado, sem marcar data para o povo votar. É como se o juiz de um jogo de futebol inventasse uma regra nova no meio da partida só para o time dele não perder o troféu. E o Brasil, através do nosso Itamaraty, já correu para dizer: "beleza, ela é a presidente".
O impacto real para o Brasil
Isso não é só fofoca de vizinho, isso mexe com o nosso bolso e com o futuro da nação:
- Insegurança Regional: Dinheiro é bicho medroso. Investidor estrangeiro olha para a América Latina e, se vê um país vizinho em um limbo jurídico sem fim, ele pensa duas vezes antes de colocar dólar aqui. Isso aumenta o nosso risco-país (o termômetro que diz se é seguro investir aqui).
- Perda de Protagonismo: Enquanto o Brasil reconhece a interina sem questionar o prazo das eleições, o Donald Trump já avisou que os EUA vão "administrar" a situação. Ficamos parecendo o coadjuvante que aceita qualquer coisa, enquanto as grandes potências ditam as regras no nosso continente.
- Instabilidade Econômica: Uma Venezuela sem rumo significa fronteiras instáveis e comércio travado. Para o Brasil ser potência, precisamos de vizinhos organizados e democráticos, não de regimes que mudam a regra conforme a conveniência.
Análise Sem Papas na Língua
O reconhecimento apressado por parte do governo brasileiro foi um tiro no pé. Ao aceitar que Delcy assuma como "interina" sem exigir o cumprimento dos prazos constitucionais para novas eleições, o Brasil assina embaixo de uma fraude institucional. Isso é péssimo para a nossa credibilidade. Geopolítica não se faz com amadorismo ou pressa para reconhecer quem quer que esteja na cadeira.
O Brasil precisa parar de ser o vizinho "bonzinho" que aceita qualquer bagunça. Se queremos ser tratados como gente grande no G20 ou na OCDE, temos que exigir ordem e respeito às leis, inclusive dos nossos parceiros. O fato de Donald Trump já estar negociando diretamente com a vice venezuelana mostra que o Brasil pode estar sendo passado para trás na própria região. Estamos sendo ingênuos enquanto os tubarões negociam o futuro do petróleo e da influência política ao nosso lado.
Conclusão
O veredito é claro: essa notícia é péssima. A falta de um prazo para eleições na Venezuela, somada ao reconhecimento passivo do Brasil, cria um cenário de instabilidade crônica. Para o Brasil decolar como potência, precisamos de uma vizinhança previsível e de instituições fortes. O que estamos vendo é o oposto: um morde-e-assopra jurídico que só serve para manter o status quo de um regime desgastado. Se o Brasil não se posicionar com firmeza exigindo democracia real, continuaremos sendo vistos como o país do futuro que nunca chega, preso em uma vizinhança que não respeita as próprias regras.
Gostaria que eu analisasse como essa instabilidade pode afetar diretamente os acordos comerciais entre Brasil e Estados Unidos no setor de Investimento estrangeiro?
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Fonte: cnnbrasil

