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FGC vai chamar R$ 30 bi dos bancos após Master

O buraco que o Banco Master deixou no sistema financeiro brasileiro é colossal. O Fundo Garantidor do Crédito (que é o seguro dos seus depósitos em banco, tipo um DPVAT da grana) vai ter que chamar R$ 30 bilhões dos bancos para tapar esse rombo. E quando digo chamar, é literalmente isso: os bancos vão ter que tirar dinheiro do bolso.

Quanto cada banco vai pagar? Ninguém sabe ao certo

Aqui fica complicado. A conta deveria ser simples: quanto maior sua fatia dos depósitos segurados pelo FGC, mais você paga. Mas tem um detalhe importante: nem todo dinheiro que está no banco é segurado.

O Itaú, por exemplo, tem um monte de cliente rico e empresa grande que estoura o limite de cobertura do FGC (que é de R$ 250 mil por CPF/CNPJ). Então, mesmo sendo gigante, a fatia dele nos depósitos segurados pode ser proporcionalmente menor.

Já a Caixa e o Banco do Brasil têm mais cliente de varejo, gente comum, que fica dentro do limite. Ou seja, eles vão sentir mais no bolso proporcionalmente.

Fazendo as contas no guardanapo

Vamos tentar uma estimativa bem por cima. Se o Itaú tem 17% do total de depósitos do mercado e a cobrança for proporcional a isso, ele teria que desembolsar uns R$ 5,1 bilhões. Detalhe: esse dinheiro hoje está rendendo CDI (uns 15% ao ano), então o banco perderia um ganho de R$ 770 milhões por ano. É grana pra caramba.

O Banco do Brasil, com seus 15% de participação, pagaria cerca de R$ 4,5 bilhões e perderia R$ 675 milhões de rendimento anual. Dói no bolso de qualquer um.

Por que o FGC precisa desse dinheiro todo?

Simples: o FGC tinha R$ 122 bilhões disponíveis no caixa. Para ressarcir os clientes do Master e do Will Bank, vai gastar R$ 47 bilhões. Isso é quase 40% da liquidez total do fundo. Um rombo gigantesco.

A regra do FGC é manter pelo menos 2,5% dos depósitos segurados em caixa. Perdendo essa grana toda de uma vez, o fundo fica perigosamente perto do limite mínimo. Daí a necessidade de recompor rapidamente.

Como vai funcionar essa cobrança?

O estatuto do FGC permite antecipar de 12 até 60 contribuições mensais. Todo mundo no mercado já estava esperando que fossem cobrados os 60 meses (5 anos de contribuição de uma vez), porque era o cenário mais provável desde que o Master quebrou.

A grande discussão agora é: isso vai ser cobrado de uma vez ou parcelado? Analistas acham "extremamente improvável" que seja tudo de cara, porque tem banco grande que simplesmente não tem capital disponível para desembolsar vários bilhões hoje. Seria resolver um problema criando outro.

O mais provável é que seja de forma faseada, tipo em parcelas ao longo de alguns meses. Além disso, o FGC pode cobrar uma contribuição extraordinária de até 50% da contribuição normal, mas isso ainda está em discussão.

Quem vai pagar essa conta?

Tem dúvida se todos os 248 bancos e instituições associados ao FGC vão ter que contribuir, ou se só os grandes (os chamados bancos S1, que são os mais importantes do sistema) vão pagar. Uma fonte do FGC disse que todos terão que contribuir, mas ainda não está 100% definido.

E o timing de tudo isso?

A antecipação das contribuições deve ser anunciada já no mês que vem. A contribuição extraordinária, se rolar, fica para mais tarde. O FGC já começou a pagar os 800 mil investidores do Master nesta semana, num total de R$ 40,6 bilhões.

Detalhe importante: se você tinha grana no Master e no Will Bank, o FGC considera tudo como um pacote só. Então se você tinha R$ 300 mil divididos entre os dois, só recebe os R$ 250 mil do limite. Os outros R$ 50 mil você dança.

E você, acha justo os bancos pagarem essa conta toda? No fim das contas, a gente sabe que quando banco perde dinheiro, quem acaba pagando é o cliente através de taxas e juros mais altos. Ou você preferia que o FGC ficasse sem dinheiro e na próxima quebradeira ninguém fosse ressarcido? Deixa sua opinião nos comentários, quero saber o que você pensa sobre isso!

Fonte: braziljournal

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