A LVMH (o maior conglomerado de luxo do mundo, dono de marcas como Louis Vuitton, Dior, Moët & Chandon e um monte de outras grifes caríssimas) acabou de vender suas operações de varejo de viagem em Hong Kong e Macau pra China Tourism Group Duty Free Corp (uma estatal chinesa) por aproximadamente US$ 395 milhões em dinheiro. Isso marca uma mudança gigante no cenário de varejo de viagem na Ásia, e vou te explicar por quê.
O que tá sendo vendido afinal?
A LVMH tá vendendo as operações da DFS (que é a marca de lojas de luxo em aeroportos e pontos turísticos) em Hong Kong e Macau. A DFS é aquela rede de lojas que você vê em aeroportos vendendo perfumes, relógios, bolsas e bebidas caras. Tipo free shop, mas focado em luxo.
O acordo definitivo, que também envolve Robert Miller (cofundador da DFS), inclui ativos intangíveis (coisas que você não toca, tipo marcas e propriedade intelectual) associados na Grande China, abrangendo marcas e propriedades intelectuais da DFS pra uso exclusivo na região. A CTG Duty-Free vai fazer a aquisição por meio de sua subsidiária integral, a China Duty Free International Limited.
Importante: depois da transação, a DFS continua operando seus negócios de varejo de luxo para viajantes em todo o mundo — só não mais em Hong Kong e Macau. Eles tão basicamente saindo desses dois mercados e vendendo a operação local.
LVMH e família Miller vão reinvestir parte da grana
Aqui tem um detalhe interessante: a LVMH e a família Miller vão reinvestir uma parte dos US$ 395 milhões recebidos comprando ações H (ações de empresas chinesas listadas em Hong Kong) recém-emitidas da CTG Duty-Free. Ou seja, eles não tão cortando laços completamente — vão virar acionistas da empresa chinesa.
Além disso, as partes assinaram um memorando de entendimento (um acordo de intenções) estabelecendo uma parceria estratégica pra promover as marcas da LVMH e o conceito "China-chic" (produtos e marcas chinesas com estilo próprio) internacionalmente. As possíveis colaborações incluem vendas de produtos, abertura de lojas, promoção de marcas e experiência do cliente.
Por que a LVMH tá vendendo isso agora?
Michael Schriver, presidente da LVMH para o Norte da Ásia, disse: "Por décadas, a DFS desempenhou um papel fundamental na transformação de Hong Kong e Macau em destinos de primeira linha para o varejo de viagem. Toda esta operação reforça nossa confiança no potencial de longo prazo do mercado chinês."
Só que vamos ser sinceros: se eles tão vendendo, é porque acham que não faz mais tanto sentido operar diretamente nesses mercados. Talvez seja mais estratégico deixar uma empresa chinesa local fazer isso e, em vez de competir, virar sócia dela. É uma jogada de reposicionamento estratégico.
Ed Brennan, presidente e CEO da DFS, completou: "A venda de nossas lojas em Hong Kong e Macau marca uma etapa importante para a DFS. A presença bem estabelecida da DFS e a excelência operacional em Hong Kong e Macau é uma conquista da qual temos muito orgulho."
Contexto histórico: LVMH comprou a DFS em 1996
A LVMH adquiriu uma participação majoritária na DFS em 1996 por aproximadamente US$ 2,5 bilhões, com o fundador Robert Miller mantendo uma parte no negócio. Agora, quase 30 anos depois, eles tão vendendo a operação de Hong Kong e Macau por US$ 395 milhões — bem menos do que pagaram pelo negócio todo lá atrás, mas lembrando que essa é só uma parte da operação global.
A DFS opera lojas de luxo em grandes aeroportos globais e em localizações no centro das cidades. É uma marca bem estabelecida no mercado de duty-free (lojas livres de impostos em aeroportos e fronteiras).
Ações da LVMH caíram 4% na segunda-feira
O negócio foi anunciado num momento turbulento pras ações da LVMH, que caíram quase 4% nas negociações em Paris na segunda-feira. Isso aconteceu por causa de novas ameaças tarifárias do presidente dos EUA, Donald Trump, direcionadas a nações europeias em relação à Groenlândia (sim, aquela história maluca dele querendo comprar a ilha), combinadas com um rebaixamento das ações pela Morgan Stanley de overweight (recomendação de compra forte) pra equal-weight (recomendação neutra).
Ou seja, o mercado tá desconfiado da LVMH por vários motivos — tensões geopolíticas, ameaças de tarifas e agora essa venda. Mas a empresa insiste que continua confiante no mercado chinês.
O que a CTG Duty-Free ganha com isso?
Luke Chang, presidente da CTG Duty-Free, afirmou que a aquisição "expandirá ainda mais a rede de serviços da CTG Duty-Free em toda a Área da Grande Baía" (que é uma megaárea econômica que inclui Hong Kong, Macau e várias cidades do sul da China, como Shenzhen e Guangzhou). Ele disse que isso representa "um passo significativo na aceleração do layout de negócios internacional da CTG Duty-Free".
Basicamente, a China tá assumindo o controle de mais um pedaço importante do mercado de luxo e varejo de viagem na região. É uma jogada de consolidação de poder econômico local.
Quando a transação vai ser concluída?
Espera-se que a transação seja concluída em aproximadamente dois meses, sujeita a condições usuais de fechamento (aprovações regulatórias, auditorias, etc.). Ou seja, até março de 2026, isso deve estar finalizado.
O que isso significa pro mercado de luxo?
Essa venda mostra que até gigantes como a LVMH estão repensando suas estratégias na China. O mercado chinês é enorme, mas também é complicado — tem questões geopolíticas, regulatórias e de concorrência local. Às vezes, faz mais sentido vender a operação pra uma empresa local e virar sócia dela do que continuar operando sozinho.
Além disso, com a economia chinesa desacelerando e tensões entre China e Ocidente aumentando, pode ser que a LVMH tenha decidido reduzir riscos e garantir liquidez vendendo esses ativos.
Isso é estratégia ou desespero da LVMH?
E você, acha que a LVMH tá fazendo uma jogada inteligente ao vender essas operações e virar sócia da empresa chinesa, ou isso é sinal de que o mercado de luxo tá enfraquecendo na China? Será que outras marcas de luxo vão seguir o mesmo caminho e vender operações locais pra empresas chinesas? Deixa sua opinião aqui nos comentários — quero saber se você acha que isso é estratégia de longo prazo ou se a LVMH tá se retirando enquanto ainda dá!
Fonte: marketscreener
