O início de 2026 traz um cenário de contraste perigoso para o Brasil. Enquanto o mundo surfa na onda da inteligência artificial e Nova York opera no azul, o Brasil começa o ano preso em suas próprias amarras: dúvida fiscal e juros que não caem. É um avanço tímido ameaçado por velhos fantasmas que impedem o país de decolar como a potência que deveria ser.
O mundo acelera, o Brasil pondera
Lá fora, o PMI (Índice de Gerentes de Compras, que mede a saúde do setor de manufatura e serviços) dá o tom da produtividade. Os EUA estão otimistas, mas aqui o buraco é mais embaixo. O mercado brasileiro encerrou 2025 com recordes, mas agora a "ressaca" chegou: o investidor estrangeiro está com um pé atrás porque não sabe se o governo vai conseguir segurar as contas ou se a Selic (a taxa básica de juros que controla a inflação) vai finalmente cair.
Para piorar, o dado de desemprego veio fraco, o que é um balde de água fria. É como se o mundo estivesse em uma Ferrari e o Brasil estivesse tentando empurrar um Opala na subida; a vontade existe, mas o motor institucional e fiscal engasga.
O veto no Fundo Partidário: uma luz no fim do túnel?
No meio desse turbilhão, o presidente Lula vetou o aumento de R$ 160 milhões no Fundo Partidário (dinheiro público que sustenta partido político). Ele argumentou que isso tiraria verba da Justiça Eleitoral e contraria o interesse público. Isso é uma vitória pontual contra o desperdício, mas ainda é pouco perto do desafio de arrumar o Orçamento para atrair capital de verdade.
Enquanto isso, a instabilidade política continua no radar com a volta de Bolsonaro para a cadeia após alta hospitalar. Isso mantém a temperatura alta em um ano que já terá eleições como catalisador. O mercado odeia barulho, e o Brasil hoje é uma orquestra desafinada.
Impactos Concretos
Na prática, o fluxo cambial (entrada e saída de dólares) fica travado. Para o cidadão comum, isso significa dólar alto e preço de tudo subindo no mercado. Sem o fluxo estrangeiro se intensificar, a Bolsa não sustenta os recordes e a economia real não gera os empregos de qualidade que a gente precisa para ser primeiro mundo.
A nossa competitividade fica refém da política. Enquanto países como os EUA adiam tarifas para proteger o consumo — como fez Trump com móveis e armários — o Brasil ainda discute como vai fechar a conta do mês sem estourar o Arcabouço Fiscal (o conjunto de regras para não gastar mais do que ganha).
Análise Crítica
É inaceitável que o Brasil comece 2026 olhando mais para o próprio umbigo e para brigas políticas do que para a revolução tecnológica global. O veto ao aumento do Fundo Partidário é um acerto, mas o quadro geral é de estagnação institucional. O país está perdendo a chance de ouro de atrair o dinheiro que foge de conflitos externos para se consolidar como porto seguro.
Precisamos parar de comemorar "melhor desempenho desde 2016" e começar a construir um desempenho que nos coloque no topo do G20 de forma sustentável. A dúvida sobre os juros e o desemprego batendo à porta mostram que a lição de casa econômica foi feita pela metade.
Conclusão
O cenário para o Brasil em 2026 é de alerta máximo. O veredito é que, apesar do otimismo externo, o Brasil corre o risco de ser o "eterno país do futuro" que nunca chega no presente. Se não resolvermos o quadro fiscal e não dermos segurança para a Bolsa de Valores, vamos continuar assistindo ao resto do mundo enriquecer enquanto a gente discute boletim médico de político.
O que você acha que pesa mais hoje para o investidor: a confusão política em Brasília ou o medo de a inflação não baixar? Posso cruzar os dados do último Fluxo Cambial para te dar essa resposta.
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Fonte:
infomoney
