Em meio à liquidação extrajudicial do Banco Master, o ex-CEO e sócio minoritário do Grupo LeoDias, Thiago Miranda, é apontado como responsável por intermediar pagamentos milionários a influenciadores digitais para atacar o Banco Central . Os contratos chegavam a R$ 2 milhões e integravam o chamado Projeto DV, em referência ao banqueiro Daniel Vorcaro.
As informações foram reveladas pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, com base em documentos, trocas de mensagens e comprovantes bancários. Diante das revelações, a Polícia Federal abriu uma investigação preliminar para apurar a existência de uma campanha coordenada.
Contratos milionários e cláusulas de sigilo
Os contratos variavam conforme o alcance dos perfis. Influenciadores com mais de 1 milhão de seguidores recebiam propostas de até R$ 2 milhões por 3 meses de trabalho, com 8 postagens mensais. Perfis com menos de 500 mil seguidores eram abordados com valores em torno de R$ 250 mil pelo mesmo período.
Um criador de conteúdo de São Paulo, que pediu anonimato, afirmou ao G1 ter recebido R$ 7.840 por uma única postagem em 19 de dezembro. O pagamento saiu da conta de Thiago Miranda, proprietário da Agência MiThi. O influenciador apagou o conteúdo dois dias depois e devolveu o valor, alegando limites éticos.
Os contratos incluíam cláusulas de confidencialidade com multas de até R$ 800 mil em caso de vazamento, com o objetivo de manter a aparência de um movimento orgânico contra o Banco Central.
Influenciadores recusaram as propostas
O vereador Rony Gabriel (PL-RS), de Erechim, com 1,7 milhão de seguidores, denunciou a abordagem após receber a proposta em 20 de dezembro. Ele relatou que, durante uma videoconferência, descobriu o envolvimento de Daniel Vorcaro e do Banco Master.
A influenciadora Juliana Moreira Leite, conhecida como Julie Milk, também afirmou ter sido procurada e recusado a oferta. O deputado estadual Leo Siqueira (Novo-SP) relatou situação semelhante, dizendo que rompeu contato ao identificar a ligação com Vorcaro.
As propostas eram feitas por intermediários como Júnior Favoreto, do Portal GroupBR, e André Salvador, da UNLTD Brasil. Favoreto declarou que foi acionado por outra agência e que nenhum contrato foi fechado.
Pico de ataques e contexto da liquidação
A Febraban identificou um volume atípico de postagens entre 26 e 29 de dezembro, em um intervalo de 36 horas. O Netlab, da UFRJ, apontou mais de 80 mil publicações com ataques ao Banco Central no período.
O Banco Master teve sua liquidação extrajudicial decretada em 18 de novembro de 2025, após o Banco Central concluir que a instituição não tinha condições de honrar seus compromissos financeiros. O banco é investigado por suspeitas de fraudes que podem chegar a R$ 12 bilhões.
Posição do Grupo LeoDias
Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira (9), o Grupo LeoDias afirmou que a Agência MiThi não possui qualquer relação com o portal e que Thiago Miranda deixou o cargo de CEO em junho de 2025. A empresa destacou que todas as atividades e contratos da agência são integralmente independentes.
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